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31 de maio de 2010

Textos: Desejo a você (Carlos Drummond de Andrade)

Desejo a você...
Fruto do mato, cheiro de jardim, namoro no portão, domingo sem chuva, segunda sem mau humor, sábado com seu amor, filme do Carlitos, chope com amigos, crônica de Rubem Braga, viver sem inimigos, filme antigo na TV, ter uma pessoa especial e que ela goste de você.

Música de Tom com letra de Chico, frango caipira em pensão do interior, ouvir uma palavra amável, ter uma surpresa agradável, ver a banda passar.

Noite de lua cheia, rever uma velha amizade, ter fé em Deus... Não ter que ouvir a palavra não nem nunca, nem jamais e adeus.

Rir como criança, ouvir canto de passarinho, sarar de resfriado, escrever um poema de amor, que nunca será rasgado.

Formar um par ideal, tomar banho de cachoeira, pegar um bronzeado legal, aprender uma nova canção... Esperar alguém na estação.

Queijo com goiabada, pôr-do-sol na roça... Uma festa, um violão, uma seresta. Recordar um amor antigo, ter um ombro sempre amigo, bater palmas de alegria.

Uma tarde amena, calçar um velho chinelo, sentar numa velha poltrona, tocar violão para alguém, ouvir a chuva no telhado, vinho branco, Bolero de Ravel e ...

...muito carinho meu. 

(recebi esse texto numa carta linda, escrita pela minha amiga Desireé... lanço como retribuição a todos os que fizeram deste o melhor aniversário da minha vida - inclusive à própria Desireé, que escolheu precisamente meu texto favorito de Drummond... ^^)

18 de maio de 2010

Textos: Idas e vindas

Tenho me rendido a escrever textos ultimamente... Hoje resolvi fazer uma brincadeira: tentei escrever um texto usando frases das músicas que fazem parte do meu repertório. Ao brincar com isso, acabei criando uma espécie de uma suruba de letras musicais, que geraram algo que fazia sentido. São 25 frases, de músicas brasileiras dos mais variados estilos. Quem for descobrindo as músicas vai postando nos comentários. E não vale trapacear, copiando as frases e jogando no Google: tem de dizer só o que lembrar!!! Então vamos lá?

Idas e Vindas

Espero o dia que vem pra ver se te vejo. Cadê você, cadê que eu não vejo mais, cadê? Por que você me trata mal, se eu te trato bem? Será talvez que minha ilusão foi dar meu coração com toda a força? Como pode ser gostar de alguém e esse tal alguém não ser seu? Desde essa desilusão eu me desiludi. A emoção acabou. Eu nem sei quem sou. Eu não quero isso, seja lá o que isso for. Bem mais que o tempo que nós perdemos, ficou pra trás também o que nos juntou. Vou cantando, fingindo alegria, para a humanidade não me ver chorar.
Uma noite de lua, foi quando estava dormindo, você veio... num relance, os seus olhos me chuparam feito um zoom. Bate outra vez com esperanças o meu coração. Você ri do meu sorriso. Por dentro eu te devoro. Não posso mais fugir. Paixão cruel, desenfreada. Não vou mais querer ninguém, agora que sei quem me faz bem. Se você quiser eu largo tudo e vou pro mundo com você. E por você eu faço tudo: vou mendigar, matar, roubar... Eu faço tudo pelo nosso amor. Leve o mundo que eu vou já. Vem esquentar e permitir... Descanse um pouco e amanheça aqui comigo.

13 de maio de 2010

Textos: Ululanciando

ululante adj. 2 gen. 1. Que produz um ruído forte semelhante ao uivo do lobo; 2. Que emite uma voz triste e lamentosa; 3. Evidente, óbvio.


Lá estava eu, às duas da manhã de uma quarta-feira terrivelmente fria. Meus pés descalços sobre o assoalho empoeirado, o gato andando pelos corredores de casa. Eu esperando uma boa companhia, um boa noite, talvez um beijo ou até mesmo um sorriso. E o que ganho é um corpo dormindo. E dormindo, me restou ficar calado, ou melhor, deixar o sono calar minha voz (ver ululante [2]).

Parece que só a noite nos entende. Parece que pra ter um pouco a mais do que preciso, eu tenho me entregar à noite. Mesmo com um dia que consome minhas forças, suga minha energia e sufoca meu ego, parece que é só a noite que poderá dar o que queremos e precisamos. Porém manter esse grito noturno calado dentro de mim (ver ululante [1]) me cansou. Quero que meu corpo seja alimentado, que minha ânsia seja suprida, que meus pulmões recebam o ar suficiente para que eu não fique mais sem fôlego.

É hora de o lobo ir à caça. É hora de matar a fome, e não de procurar migalhas. É hora de deixar a mudança acontecer, de dentro pra fora. Um lobo pode até não sobreviver fora da alcatéia, mas se não tentar, nunca vai saber qual o gosto de comer toda a carne de uma presa (ver ululante [3]). Egoísmo? Não, independência... Sabe quando você se basta? Pois é, tipo isso...

A noite agora não aguarda mais meus gritos ao luar, mas minha caçada incessante pelo alimento que me falta.

26 de abril de 2010

Textos: De olhos bem fechados




de olhos bem fechados
todos os gostos são mais doces
mais amargos, mais azedos
mais salgados

de olhos bem fechados
todas as sensações são mais intensas
todas as cores são mais densas
todas as coisas, ainda que pequenas
se tornam de grandeza imensa

de olhos bem fechados
todos os beijos são mais molhados
todos os corpos são mais suados
todos os nomes são mais falados
não em voz alta
mas suspirados

de olhos bem fechados
todos os calores são mais quentes
e todos os frios se fazem quentes
porque a pele que toca a outra
sente o que a outra sente

de olhos bem fechados
os corpos se confundem
e de tal maneira se maneira se fundem
que nem em Kubrick, ou em suas obras
tais sensações se difundem

16 de abril de 2010

Textos: TARJA PRETA



TARJA PRETA (por Edu Ruas)



Sinto falta de você a meu lado. A noite fria e convidativa me pede algo que remedie essa solidão. Logo penso em você, e na distância que nos separa... mas sabe que, pensando bem, acho até bom você e eu morarmos longe? Explico o porquê...
Você é um remédio tarja preta... doses ponderadas de você fazem muito bem, mas doses contínuas devem viciar e causar dependência... isso se eu já não tiver me tornado dependente, pois as poucas doses que tenho tomado de você me fazem sentir uma abstinência profunda. E me pego a pensar: "Qual a fórmula, qual o nome de laboratório, qual a substância que faz com que nenhum dos outros remédios que eu tomo tenha o mesmo efeito que ESSE tarja preta em específico?"
Remédios tarja preta são perigosos. Podem fazer mal se não forem tomados com os devidos cuidados nas doses. Seu efeito pode se tornar uma droga, que consome o corpo e a consciência dos seus dependentes. Mas ao contrários dos narcodependentes, não querer me desvencilhar do vício nesse tarja-preta não parece (até agora) algo que  vá me prejudicar. Os médicos provavelmente, hão de concordar com o que digo. Você é um vício que me faz bem...



(Me bateu uma inspiração de madrugada, e acabei por escrever agora esse textinho. Acabou ficando uma coisa que posso direcionar a quem não está aqui ao meu lado, mas que eu gostaria muito que estivesse... Minhas frases à la Pedro Bial vieram pro blog, mas certamente serão bem interpretadas e compreendidas por quem as inspirou.)

6 de novembro de 2009

Textos: Mika, sobre "We Are Golden", em seu diário pessoal

O universo do cantor Mika tem se tornado um espetáculo à parte... Extremamente talentoso, o libanês radicado em Londres tem se mostrado um dos maiores potenciais pop da década. Dono de dotes artísticos incríves, que vão das artes plásticas aos talentos musicais (além de cantor, Mika é pianista e arranjador), ele conquista o mercado pop com seu estilo arrojado e inovador. Seu mundinho é rodeado de cores e luzes, e sua música provocante (e muitas vezes irônica) é reflexo da forte personalidade do artista, que não teme em mostrar excentricidade, furor e energia em suas apresentações.

Abaixo segue um trecho do texto que faz parte da arte do álbum The Boy Who Knew Too Much. Os versos se referem mais especificamente ao primeiro single deste CD, We Are Golden. O texto foi escrito por Mika, numa imagem que dá a sensação de ser uma página de seu diário pessoal, que ele quer compartilhar com seus admiradores...

E então? Aceita o convite para um tour nesse país das maravilhas?

Texto original:
"Waking up in the midday sun...
What's to live for when you can see what I've done?
I stay out of motion in the light of day.
I was riding from the things that you'd say. I am now a boy at an open door.
Why are you staring? Do you still think that you know?
I looked for treasure in the things that you threw... I was like magic... I lived for glitter... not you!
Golden...
I am not what you think I am! I am made of gold!!!"


Em português (espero ter traduzido certo ^^):
"Acordando ao sol do meio-dia...
O que é viver para algo, quando você pode ver o que eu fiz?
Eu fico longe do movimento à luz do dia.
Eu estava no caminho das coisas que você diria. Eu sou agora um menino em uma porta aberta.
Por que você está olhando? Você ainda pensa que você sabe?
Olhei para o tesouro nas coisas que você jogou... Eu era como magia, eu vivia de brilho... você não!
Dourado...
Eu não sou o que você pensa que eu sou! Eu sou feito de ouro!!!"

Perdido no blog? Procura aqui:

Quem manda na bagaça

Minha foto
Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil
"Home is where you least expect to find it." (do filme "Shelter")