ululante adj. 2 gen. 1. Que produz um ruído forte semelhante ao uivo do lobo; 2. Que emite uma voz triste e lamentosa; 3. Evidente, óbvio.
Lá estava eu, às duas da manhã de uma quarta-feira terrivelmente fria. Meus pés descalços sobre o assoalho empoeirado, o gato andando pelos corredores de casa. Eu esperando uma boa companhia, um boa noite, talvez um beijo ou até mesmo um sorriso. E o que ganho é um corpo dormindo. E dormindo, me restou ficar calado, ou melhor, deixar o sono calar minha voz (ver ululante [2]).Parece que só a noite nos entende. Parece que pra ter um pouco a mais do que preciso, eu tenho me entregar à noite. Mesmo com um dia que consome minhas forças, suga minha energia e sufoca meu ego, parece que é só a noite que poderá dar o que queremos e precisamos. Porém manter esse grito noturno calado dentro de mim (ver ululante [1]) me cansou. Quero que meu corpo seja alimentado, que minha ânsia seja suprida, que meus pulmões recebam o ar suficiente para que eu não fique mais sem fôlego.
É hora de o lobo ir à caça. É hora de matar a fome, e não de procurar migalhas. É hora de deixar a mudança acontecer, de dentro pra fora. Um lobo pode até não sobreviver fora da alcatéia, mas se não tentar, nunca vai saber qual o gosto de comer toda a carne de uma presa (ver ululante [3]). Egoísmo? Não, independência... Sabe quando você se basta? Pois é, tipo isso...
A noite agora não aguarda mais meus gritos ao luar, mas minha caçada incessante pelo alimento que me falta.
Um comentário:
nossa, perfeito o texto, Du!
amei
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