Amanhã, dia 15, é a tão aguardada estréia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo. Mais uma vez milhões de brasileiros projetam nós pés de milhões dos atletas suas esperanças, suas alegrias. Partindo desse que é o assunto de maior interesse no momento, resolvi me aproveitar do bate-papo que tive sobre o assunto com o
Andis, que é jornalista e meu amigo. Peço licença para usar de algumas das palavras que trocamos.
A Copa do Mundo FIFA é uma verdadeira festa. Pra mim, esta em especial, com a África do Sul como sede, ganha destaque. Futebol é um esporte interessante, que permite a interação saudável entre países, embora não passe de uma competição. Tem um caráter democrático, tanto por unir pobres e ricos por um mesmo motivo quanto pelo fato de se fazer necessário para sua existência apenas gente, um local e bola. Além disso, ele traz felicidade para muita gente... emoção (e isso fica evidente, no sorriso estampado na face de cada africano). Você pode conhecer a cultura de outro país através do futebol.

Alguns disseram que eu não tenho patriotismo, devido a meu posicionamento inerte diante do mar verde-amarelo que se alastra nessa época. Pois é... quem me conhece sabe que não sou um fanático por futebol. Mas a Copa desperta esse meu lado: são os melhores atletas, dos melhores países de cada continente, reunidos em busca de um mesmo objetivo. Eu assisto jogo, fico vidrado na TV, anoto resultado em tabelinha e tudo, mas faz tempo que deixei de fazer o tipo que compra cornetas, pinta muros, decora a rua, se veste com a camisa da Seleção e sai gritando "eu quero o hexa"!
Eu só não gosto de uma coisa no "espírito de Copa do Mundo". Falo do Brasil em específico, pois é aqui que eu vivo e posso observar essa característica. De 4 em 4 anos, o país inteiro para totalmente em razao da copa. Aí, questões cujas consequências duram mais que os 30 dias de Copa, como política, economia, se descontrolam sem ninguém dar a devida atenção.
Não finjo ser patriota só na Copa. Assisto, torço, mas como a competição esportiva importante que é, não como uma forma de demonstrar minha brasilidade. Prefiro demonstrar isso no dia-a-dia, prestigiando a arte, valorizando a música, reconhecendo os méritos dos profissionais brasileiros das mais diversas áreas que conquistam respeito e reconhecimento no que fazem. Melhor que amar o Brasil em época de Copa e, um mês depois, estar descendo a lenha e falar até que tem vergonha de ser brasileiro.
O Andis disse que "amar o país é muito demodê, ninguém ama nada". No nosso papo, esse foi um dos poucos pontos onde nossas opiniões divergiram. Acho que o Brasil, como qualquer outra nação, tem seus problemas. Mas não trocaria o Brasil por outro lugar, pois amo ser brasileiro, amo minhas raízes, minha terra, meu povo, minha cultura. Contudo, não vejo necessidade de gritar isso aos quatro ventos. E se no meu cotidiano não prego este
fanatismo "patriotismo", por que faze-lo em época de Copa? Faz sentido?
Torcer pelo país num jogo de futebol não demonstra patriotismo. Demonstra espírito esportivo. Ser patriota significa mil outras coisas. Precisamos aprender a ser patriotas durante os 4 anos, e não apenas de 4 em 4. E a propósito, se
essa arara for mesmo a logo do Mundial de 2014, ele já não me agrada antes mesmo de começar (não, eu não gostei da logo).